Monday, 28 May 2012

quando o filme termina

O pára-brisa louco poc na minha cara.
Doeu.
Perdi o nariz.
Degustei violência.
Compota de doce.
Um cara vencido, de mini-saia, uhiuuhuuhu. Delícia.
Sério - o que vou fazer se?
Fecha a porta ai, porra.
Baby, tá foda.
Chegou para si.
Deixou desigual.
Eu estou muito mais.
Preguiçoso, entupido de nefetalmina, amado.
O que há dentro do meu coração?
Não sei.
Não sei.
Compota de doce.
Não sei.
Cada um morre só. Tão só. Tão só. Cada um morre só. Tão. Só.
Beija meu seio agora.

Sunday, 20 May 2012

be that easy

Cheguei.
Eu sou uma casa despedaçada segurando um galho quebrado.
Aponta o seu dedo para a história do meu olho.
É fácil ser?
Não seria assim tão fácil.
Meanwhile, boy, I'm falling all these years.
Há muitos guarda-chuvas: sérios-coloridos-rotos.
Pára-brisas loucos.
O céu cinza é meu cotovelo bonito.
Ainda tenho vida.
Não quero acusar os acusadores.
A minha única negação é desviar o olhar.
Quero ser algum dia (any day now) apenas alguém que diz sim.
Faz uma floresta no meu cabelo?

Thursday, 10 May 2012

What do you expect?

Eu acabei de morder uma maçã.
Eu acabei de comer uma parte da minha mão.
Moodys mood for love.
Eu pensei na minha vóvó.
Minha vóvó gostava de maçãs.
Minha vóvó gostava de descascar laranjas.
Dessa vez não há hermetismo.
Só pés cruzados.
Olha, eu criei umas imagens para daqui a pouco.
Devolva minha mão.
Ressuscita todas as divas do Jazz.
Eu quase preparava o último discurso para meu pai.
Not yet.
O mundo tem tanto círculo.
Só agora eu descobri moinhos.
Minha poesia é uma soda limonada.
A roupa do Batman.
Batman.
Batman.
Baby, you weren't there and I was thinking of you when I came.
Dança nas pontas dos gestos.
Esmaga meus ombros.
Devolva minha mão.

círculo

Escapou.
Linhas.
Fugas.
Linhas de rugas.
Para  fazer circular um queixo vermelho.
Para não fazer nada.
Para não fazer nada, indispensável.
Eu esperamos eu.
Esfrega uma mão na outra - até aquecer.
Afaga a ponta da faca - até adormecer.
Viver é veredas, perigoso.
Devolver a mala.
Mala devolvida.
E agora, José?
Riscar o livro.
Let's play: ele tem corações.

Let's play: ele tem corações fora do peito.

Monday, 30 April 2012

troca de válvula

No coração têm válvulas que separam os átrios e ventrículos. 
Dois átrios. Dois ventrículos.
Um pouco mais e narrarei os cataventos em intrigas telepáticas.
As significações derramam os esparadrápos de nuvem.
Choverá mansidão, além de água-obviedades?
Para os pés. Para os ombros. Pára um pouco.
Um dia falarei do meu pai. 
Um dia falarei do meu relógio quebrado. 
Nunca mais serei tão cogumelo, eu talvez. 
Escreverei para sempre numa língua estranha-estrangeira.
Agora, morde meu calcanhar para a dor se acalmar.
Morra-me carícias com pedaços de fambroesa e açúcares.
Mas devagar.

Sunday, 15 April 2012

pau brasil *

Distraio seu olhar com meu olhar decolado. Você não me vê, do palco. Uma das características mais importantes do pau-brasil é a madeira pesada.  Os termos da discussão: examinei até aqui as duas teses extremas sobre as relações entre literatura e realidade. Sou obrigado (ainda, até quando?) a ler sobre mimésis. Todos os demônios nas unhas cortadas. Depois estou articulando assunto latido, antes. Acri. Ovo maltine com biscoito doce de leite maltado – peso líquido 200 g. A conexão falhou, então a demora. Existe lei federal que considera crime o corte ilegal desta árvore. Um metro e oitenta e três, setenta e sete kilos, comecei a malhar, faço pilates, cabelos curtos. Uso óculos vermelho. Até do excesso eu gosto: água de bronzear, colo de óleo amêndoas - o mar parou - mini short azul, luminárias fálicas, microfone. Meus tios and zie gostam também. Eles disseram retos. Meu Deus. Um bicho-homem. Nasceu. Perdeu. Até do excesso: clavículas cruas, ruas e omoplatas, quase igualmente, ínfimas. Saboreio discreto, ínfimo, escoação. Escôo em seu mamilo. Arranco seu mamilo e meu dente. Meu dente sua suavidade. Enquanto olhava  você almoçar reparei o piercing sem acreditar nas formas e retinas do antebraço. Você usa um sapato vermelho, uma motocicleta, batom, cílios. Meu email é: saulos_moreira@yahoo.com.br Escreve ai. Eu espero. Voltou? Eu sou legal. Pergunte à Paula, à minha mãe, a Thiago. Very good. Nice. Nice. Há 10 anos em Salvador, qual a transcrição da cena? Transcrição da cena: masturba, é muito charmoso e pontiagudo e cínico e vaidade lambida em mim. No peito a referência é uma ilusão e plástico.  Do palco, só vejo você. Repito baixo - pau tão brasil. Pau-brasil é o nome genérico de árvores do gênero Caesalpinia presentes na região da Mata Atlântica. A madeira do pau-brasil é usada na fabricação de harpas e violas. No dia 3 de maio comemora-se o pau-brasil. 

* para Aldren Lincoln

Wednesday, 11 April 2012

cicatriz no meio do ventre

Em qual lugar estávamos quando aconteceram a guerra das laranjas? Porque você escondia as orquídeas no latido dos cachorros? Performance hermética e dor de língua. Sim, estarei entre o azul e escuro. Estou pronto. Estou pronto? Posso pegar no seu umbigo? Eu tenho medo? Eu tenho desejo: odor de dente. Escolho desistir. É uma carta soprada de despedida. O fora-dentro da realidade. Postulo um território, a imaginação pública aflita ou a fábrica do presente. Fio o fim. Posso chupar seu umbigo? O meu silêncio será o mais orifício dos acontecimentos. 

Monday, 2 April 2012

sem título

quando eu fizer 30 anos
lembrarei, letras miúdas, os amores não havidos
inaugurarei a máquina de fazer escrever
máquina de fazer pão
rádio

os 30 anos parecem discretos
narrativa errante
no quarto, o mundo espera o sol e os dentes nascem
os dentes só nascem
e o amor?

canção de pés
haverá hora de ouvidos afiados
tudo ilusão
lembrarei da minha mãe
quando eu fizer 30 anos

descobrirei algum poeta vivo
copiarei seus seis versos
e dormirei menos
e falarei menos
renunciarei os dois amigos

aquele anjo teimoso asa quebrada fantasia de quarta-feira de cinzas
pede balada na quinta 
delicadeza
bondade
vinho

rio cansado olhos derretidos
mas rio
palpitar de flor azul
era uma vez
poesia (inexplicável) da vida

Thursday, 29 March 2012

Quadrilha

João amava Raimundo amava Joaquim amava Carlos amava Saulo amava José amava João.

Friday, 23 March 2012

sem título

Há qualquer momento meu corpo deitado. Há qualquer momento levantarei meu corpo deitado. Há qualquer momento meu corpo cansado se levantará. Catar os rinocerontes barbudos na pata da delicadeza. Catar os rinocerontes barbudos na pata da delicadeza. Catar os rinocerontes barbudos na pata da delicadeza. Malabarismos aproximando os invólucros dispersos. Tudo eu. Tudo deseu. Ou alguma coisa pequena-grande. O mundo cabe nessa janela sobre o mar. O mundo cabe nessa janela sobre o mar. O mundo cabe nessa janela sobre o mar.  Cabe o mar aqui. Cabide para segurar a única textura usada às sextas-feiras. Sextas-feiras de surpresa e amigos.  Fez-se folhas, cactos, pactos, ratos, botão, botão, botão. Os amigos amam devagar. Permanência de possibilidades. De vagar uma noite surge, uma vontade, uma lembrança, um pai, um lá. Permanência de possibilidades. Permanência de possibilidades e zumbidos.

Wednesday, 7 March 2012

só mais ele

Ele viverá com Clarice em Brasília.
Ele chegou ontem em Buenos Aires.
Ele com 13 afinidades, não era suficiente.
Ele pretende conhecer os meus 3 ex namorados.
Ele não é gay.
Ele poderia ser.
Ele frenquenta Recife.
Ele faz vento no olho e pernas nervosas.
Ele pesa 79 kilos.
Ele tem nome de uma cantora paulista.
Ele prefere pessoa.
Ele usa havaianas e piercings.
Ele mostra suingue e tatoos, gentilezas e barba.
Ele é um jeito - frente, verso e prosa.
Poesia minha mínima.

Saturday, 25 February 2012

Um brinco. Bloom com bolo de chocolate. Seremos uma festa de criança? Para desperdiçar dediquei uma música à meu futuro boyfriend. Dindi. Tem um brother levando os elepês de Gal para passear. Inspiração deixada por ai. Fala com ele. Pós-carnaval. Haverá ainda serpentinas? Entra para ver. Esforço e remetrifico aquilo que escuto. O que você canta. Escuta. Querer é muito difícil, quase? Vamos dançar. Qualquer coisa será melhor quando o carnaval passar.