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August 31, 2017

você traz caravelas em suas ancas
posso tocá-las
danço arrepiado até cair na beira da estrada
a estrada é de areal 
no lugar dela havia um rio
no lugar do peito querem implantar uma hérnia
eu sou um caco
cubro de amendoins esse sobrenome 
sobrecasaco cheio de musgos
cubro
cobre
roço minha face na sua nuca depois no seu baço
vou até o seu sovaco e fico lá
de cócoras
lá tem o cheiro da minha pupila cheio de manchas
lá posso deixar de lado o sobre-nombre-casaco
e não sinto frio
eu não sinto frio agachado no seu sovaco
minha dor de dente pára no aconchego 
seu sovaco transpira
consigo levantar depois da queda
no meio da estrada lembro 
eu tenho um sobrenome
porque eu teria esse sobrenome
seu sovaco era peludo
no meio da beira da estrada levanto da queda
volto a dançar
avisto as caravelas em suas ancas
tua canção é boa
tem aquela parte eletroarrocha 
até chupo uma cereja que aparece quando danço avistando
o coração das caravelas em suas ancas
é preciso você me parar
não conseguirão implantar uma hérnia
minha cocha é forte
faço pompoarismo e toco flauta
toco flauta com minha buceta
toco no seu cu com meu dedo
eu tenho ancas 
pode pegar
pode pegar
eu quero que você pegue nas minhas ancas
esse é meu território
essa é minha ilha
eu não quero atravessar o mar
pode pegar
eu deixo você pegar
come mais abacaxis
come mais
eu deixo
pode
pegar
deixo
cereja em sua boca de groselha
deixo
vai
vem
vem
caravelas
caralho
se você não disser stop nunca mais vou parar
Diário de hoje: improvisei, com a letra verde, o diário de bordo de ontem. Ficou assim assim. Tá sendo difícil ler para os outros. Acho todo mundo muito louco aqui. Meu olho lacrimeja. Chego atrasado. As pessoas estão lendo seus diários-poemas. Tudo bonito, mas estou disperso (talvez o cansaço, talvez as despedidas). Ela leu um poema e pediu para que tirássemos palavras. Eu fiquei de olho fechado. Deixei passar o poema. Tão forte. Era sobre mortificações, territórios, resiliência. Ela me pediu para encontrar um significante entre mortificações e resiliência. Veio palmas. O que são palmas entre esses dois nomes? Os poemas que vieram foram pulsantes. Quantos poemas têm dentro de um mesmo poema? Estou farto e com frio. Estou querendo entre estar aqui e a minha cama. No final, li meu texto improvisado. Estou com umas vergonhas. Estou com uma ferida que não canso de cutucar. Estou numa bolha. Quero fazer poema em homenagem ao meu fígado e a nossos sovacos.  
existem dois pares de sapatos

4 listas
1) na porta da geladeira
2) dentro do pote
3) na parede do quarto de Rosa
4) ao lado do estojo de óculos

dentro do pote:

planejo fazer um dia sobre o dia mais quente no lugar mais frio  -cortei a palavra advinha - qual o dia mais frio no lugar mais quente? - agora vou ao porto com o cobertor vermelhomarrombranco - fico lá durante 3 horas segurando o osso perto do seu umbigo preferido - aparece um bicho do fundo do mar - ele parece o monstro de onde moram os monstros - semana que vem me afogo com você - juro 

diário de ontem

Cheguei. Ela estava com um salto bafoneiro e uma unha rosapinkchoc. Tá, querida? Trá! Cho-ki-tha! Estou com o olho tapado, mas enxergo luzes até por trás da parede. Ai que uó, eu. Eu falei que queria flertar com narrativas. Isso é em setembro, louca! Que louca! Risos. Foi um equívoco. Não sei. Foi. Escutei a  história das 3 cabeças de ouro. Horripilante. A moral é tão horripilante. Não, eu não queria, não quero entender aquele poema, mas quando Anastácia juntou Madrugada e Exu, tudo fez um sentido-sopro no meu ouvido. Era para ser uma semana de despedidas e, de repente, veio esse encontro-epistemologia inédita.  Uau! Preciso ter mais 5 vidas - vounegociarcomBrisa. Porque, porra, para desfazer os spectros do ocidente, cacete, é muito tempo: morte e renascimento. Tem sido uma semana de cuidado com o olho esquerdo e não (esqueci o que ia falar, se eu colocasse uma reticência, você entenderia?). Anotei nome de muitos livros e quando disse de excessos e abandonos foi mais um ponto de vista amoroso. Sejamos amigos - é tão difícil. Minha solidão é minha amiga. Foi bom ler em outra língua. Escrevi sobre apodrecimentos. Foi foda e foi bom. Faltou falar, acrescento agora,  do meu nome. Tentei fazer um poema para Saulo. Saulo foi meu bisavô materno. Ele era judeu e casou com minha bisa índia Rosa. Três meses depois de flechados, Saulo morreu. Por isso, meu nome. Céu colocou esse nome meu. Se fosse mulher, seria Sara. Sara veio depois. Eu, homem, entre as 7 mulheres da minha casa. É muito assunto aqui. Outra coisa, você tem razão - escrever e ser artista-sinuosidades, apesar e através do cotidiano áspero, sufocante e reto.

August 28, 2017

para Paty Costa

Aquele presente com a fita azul só poderia ser seu. 
Não falemos de luto. 
Não é hora de comentar os abismos. 
Um umbigo gira ao redor do seu. 
Um sorriso orbita na sua barriga. 
Cócegas são cafunés.

O futuro é uma fragrância – vamos aprender fazer bolha de alfazema?

August 27, 2017

lista 2

um walkman
um liquidificador
um processador
uma máquina analógica
a cabeça de unicórnio de papel
um aparelho de vinil
rabiscos e símbolos inaudíveis
escrever uma carta de despedida
colocar no correio
comprar o pé de pato

Consegui escrever a crítica. Eu vi a noite passar. Insegurança é um bichinho cheio de ventosas. Tenho muitas tarefas para daqui a pouco e planos de sabonetes. Planos de sabonetes é o que há de melhor. Em nota de rodapé, comentei sobre um caderno de listras, digo, listas. Ele estava perto daqui de casa. Perto de uma árvore que tem folhas amarelas e verdes. O bichinho cheio de ventosas tocou na batata da minha perna agora. Volto para o caderno-listras-listas. Fico, inevitável, pensando no autor.

lista 1

Mostrar ou não mostrar?
O que é mostrar-não-mostrar?
Vou para Lençóis?
Largo tudo?
Solidão.
Amizade.
Não aguento mais repetir.
Medo do outro ver uma coisa qualquer.
Medo de ser julgado.
Medo do olho do outro.
Medo do olhar do outro.
Medo de interromper.
Medo de não conseguir.
Medo de interromper o dilema.
Falar dos atrasos recorrentes na última semana.
Falar da vontade de cortar a garganta de três pessoas.
Tá foda sair de casa.
Tá foda.
Nota de rodapé: encontrei um caderno cheio de listas estranhas perto da minha casa. Faz uma semana que isso aconteceu. Começarei a publicar essas listas. Coisa estranha e cósmica.

August 26, 2017

Continuo a publicação anterior. Ainda não escrevi nada. Minha gata dorme e eu perdi mais de duas horas procurando a configuração da fonte. Mapeio arranhões (qualquer coisa, me chama). Léo dorme. São 03:41. A soma é igual a 8. Talvez isso seja um bom prenúncio. Ou seria um presságio? Algo me diz - você conseguirá escrever. Eu só penso em setembro. Em setembro, enxergarei diferente. Minha gata dorme contorcida. Nunca mais fui à praia. 8: número-amuleto-mediação entre o céu e a terra, entre o círculo e o quadrado, última palavra-imagem daquela história bonita que me fez andar 178 km. Brisa é a outra vida de Céu?
Esses dias escrevi nas 'inscrições' sobre uma promessa. Escrever todo dia. Eu preciso escrever uma crítica sobre Love e uma carta-poema todo dia. Coloquei no google assim: Love. Apareceu a letra da música de Lana Del Rei. Letícia canta, em Noite de climão: ninguém perguntou por você, eu ri, a gente só prestou dormindo. Li a treta barra pesada da misoginia do jornalista uó. É foda. Escuto Letícia porque gosto muito dela. Ela tem dificuldades com arianos, soube. Estou com vontade de contar tudo de vez. Pela primeira vez. Veio uma ideia de fazer um romance. Deixarei 5 capítulos em lugares diferentes pela cidade. Escrevo como naquelas horas quando acho que alguém (talvez minha analista) vai suspender minha narrativa. Fico meio desesperado. Estou desesperado. Duas semanas sem ir para análise. Precisei voltar a faixa dois. Ninguém perguntou por você. Eu ri. Te citei mesmo assim. Esses versos são de Letícia-Letrux. Não são meus. Não quero fazer plágio. Resolvi colocar Letícia fase Letuce, na epígrafe. Vou citar outro verso dela. Todo dia eu arranco meu coração. De manhã, meu coraçãozinho volta a crescer. Hoje um colega de trabalho ficou escandalizado porque eu assumi, meio assim sem pensar, sem pensar mais ou menos, não gosto da prosa baiana. Fui leviano. Eu nunca li a prosa baiana. Entrei numa fase de rupturas. Rupturas cíclicas ou Cíclicas-rupturas. Foi horrível a reunião naquela hora, naquele lugar, com aquelas pessoas. É horrível conduzir a interpretação de algo à alguém. Estou tão cansado. Um pouco melancólico, é verdade. Um pouco chateado. Meu contrato vai acabar. Vai acabar minha falta de sono. Meu sono. Também prometi me molhar no mar todos dias e fazer ioga. Ai. O que vai acontecer com meu olho. Tem um medo, ai, também. Eu preciso confessar que gosto tanto de Ana Martins Marques. Ela escreveu, parafraseio: estou montado nesse dia como num cavalo. Não sei.  A paráfrase saiu com uma sonoridade estranha. Espera. O cabelo de Léo cresce. O cabelo de Léo crescendo é uma das drogas mais bonitas da natureza. O som do celular não consegue chegar no primeiro andar. Interrompo para dizer isso. Fui procurar quem é  Lana. Lana é múltipla - fotógrafa, atriz, roteirista. Vou escutar a música de Lana. Deixa o climão acabar. Look at you kids with your vintage music.

March 31, 2017

Plácido. Acertei com ele o valor. Acertamos. Ok-ok. Enscostamaisemeapertacomasuacoxa. Mais. Aí. Agora equilibrou. Costuramos a avenida. Fio-corredor-costuramos. Vou entregar o currículo amassado dele. Ele perguntou - você aprendeu o caminho-atalho? Não? Tem que aprender para quando você vir de carro. Foi uma coisa a-ssim. Sim: aprender com Boby vale mais do que ler 30 livros, Mário disse. As coisas estão aí. E isso foi depois de Truman e a morte de meu melhor amigo. Isso depois do gesto de delicadeza. Aprendo usar minha boceta para combater paus e as vozes alturas deles. Delicadezas para que haja desistências de brutamontes. Meu corpo fluido e sutilezas é inesquecível. Cheguei 18 minutos atrasado. Fiz o que pude. Tenho feito. No final da tarde de hoje teve poemafé e lágrimas, elegância e sinceridades. Somos friends e maiores do que os diagnósticos. Assim. Assado. Assim.