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February 13, 2018


ela cantou com muita força

uma sanfona pode fazer aparecer um passarinho
uma sanfona pode fazer aparecer um passarinho
uma sanfona pode fazer aparecer um passarinho
uma sanfona pode fazer aparecer um passarinho

ao sair para comprar pão,
só ouvia dizer que 
em todos ouvidos só havia 
ninhos


                                         
                                                   sim
                                         sim  sim
                                             sim sim  sim sim
                                         sim sim sim  sim sim sim
                                     sim sim sim sim  sim sim sim sim
                                 sim sim sim sim sim  sim sim sim sim sim
                             sim sim sim sim sim sim  sim sim sim sim sim sim
                         sim sim sim sim sim sim sim  sim sim sim sim sim sim sim
                     sim sim sim sim sim sim sim sim  sim sim sim sim sim sim sim sim
                 

  


só hoje pude perceber
envelope balão e pipa
possuem o mesmo significado


February 10, 2018

bio bio bio
boi boi boi
da cara amada
bibo
ouça
ou
onça
ou
oca
ou
cão
bio 
oca
bioouoca
b i o c a
da borba-
leta da
esca-
ma
borda na falha do dente
um barco
surfa 
na piscina
uma ilha e po-
voa
voa
voavoa vão
v oa
vo a
voa

February 08, 2018

Tanto tempo nesse esquizoesquema de repetição.

Eu poderia dizer do meu encontro-contorno-com Suzi, às 5 em ponto, ao nascer do sol.
Eu poderia contar sobre as mulheres-presentes fazedoras de curativos e chás,  às 5:15 (com 2 minutos e 2 segundos de tolerância porque somos macios).
Eu poderia fazer uma lista de esparadrapos e dizer que ela pertence ao caderninho amarelo do cara esquecido na esquina do cemitério, há mais de três meses.
Eu poderia estudar escritas de cadernos.
Eu poderia dançar um ruído (mistura de vento e voz da minha brisa).
Eu poderia colocar um colar, uma máscara e plantar bananeira.
Eu poderia pintar meus cílios antes de ler os 15 livros nesse carnaval (livros nem sempre necessários mas tão necessários) e (carnaval sempre carnaval).
Eu poderia desaprender escrever fragmentos e fazer uma história linhazinhazinha.
Eu poderia desmontar os avessos que construí, mas ainda não.
Eu poderia repaginar uma narrativa triste de ruptura, no entanto.
Eu poderia dizer outra vez sobre Dene (um coração explode na minha testa, ploc!).
Eu poderia dizer que comprei um estojo-melancia para Bia.

Eu quero, até a quarta-feira-de-cinzas, postar 
um poema-canção para ela-Bioca.
Eu customizo uma linha. Eu posso aprender a andar sobre ela e testar equilíbrios.
Eu preciso fazer um roteiro sobre um objeto não identificado.
Eu preciso escrever um desenho para o desenho de Kau.
Eu tenho dito sobre continuações, acúmulos e vazios desde 2001.
Esse texto agora, quando ele passou a ser escrito?
Há sempre um antes atualizando-se. Tenho essa impressão.
Impressão seta expressão.
Im/Ex-pressão – digital/espiral.
Meu corpo de agora é um corpo de antes, mas isso não tem a ver 
com causa-consequência.

Tem muito de hífen no meu corpo. Muitos dois pontos. Muita letra minúscula. Muito verso redobrado. Muito de Alice caindo no buraco. Há muitos futuros-furos-portas-janelas. 
Penso o futuro para fazer um instante-ar.
Eu digo futuro mas não se trata de uma tautologia.

O que eu tenho querido conversar com você é mais um sintagma de vaga-lume.
Um vaga-lume se multiplicando como um sintagma nas minhas costas, furando as costelas. Ele faz cócegas no meu tendão e fará.
Eu quero experimentar um corpo vaga-lume. Um corpo que não desconsidera meu corpo mortal e o potencializa em modos de operar o cotidiano pelo compasso da leveza. Um corpo de promessa que, no gesto da promessa, age.
Eu poderia dizer mais sobre leveza. Daqui a pouco, tá?
Eu poderia dizer, para finalizar esse arranjo de palavras entre a palavra tanto e a palavra que ainda não sei e sei, 
eu poderia dizer

qual-quer coisa que cresça entre as palmas do deserto,
qual-quer coisa que cresça entre as unhas da palma da mão, 
qual-quer coisa de pássaro na mão que acena,
qual-quer aceno que assenta,
qual chão que vaza e me permite caminhar e lavar meu corpo com sal e levar embora os filigramas de feridas até os baús no fundo do mar.

Só os escafandristas e bichos impensáveis terão acesso a esses filigramas.
Só os escafandristas e bichos virão.

Eu poderia. 
Eu possopoço. 

Uma amontoado de capim cresce.

Isso é muito, apesar de.
Eu digo eu e penso se não seria menos auto-? se o acoplasse a 
Maria e João, a tartaruga e você.

Você poderia você possopoço.

Para outro papo-post: cerrar as nódoas, de noitinha, dos nós – convocação amorosa traduzida em amizade de amizade.  

August 31, 2017

Diário de hoje: improvisei, com a letra verde, o diário de bordo de ontem. Ficou assim assim. Tá sendo difícil ler para os outros. Acho todo mundo muito louco aqui. Meu olho lacrimeja. Chego atrasado. As pessoas estão lendo seus diários-poemas. Tudo bonito, mas estou disperso (talvez o cansaço, talvez as despedidas). Ela leu um poema e pediu para que tirássemos palavras. Eu fiquei de olho fechado. Deixei passar o poema. Tão forte. Era sobre mortificações, territórios, resiliência. Ela me pediu para encontrar um significante entre mortificações e resiliência. Veio palmas. O que são palmas entre esses dois nomes? Os poemas que vieram foram pulsantes. Quantos poemas têm dentro de um mesmo poema? Estou farto e com frio. Estou querendo entre estar aqui e a minha cama. No final, li meu texto improvisado. Estou com umas vergonhas. Estou com uma ferida que não canso de cutucar. Estou numa bolha. Quero fazer poema em homenagem ao meu fígado e a nossos sovacos.  
existem dois pares de sapatos

4 listas
1) na porta da geladeira
2) dentro do pote
3) na parede do quarto de Rosa
4) ao lado do estojo de óculos

dentro do pote:

planejo fazer um dia sobre o dia mais quente no lugar mais frio  -cortei a palavra advinha - qual o dia mais frio no lugar mais quente? - agora vou ao porto com o cobertor vermelhomarrombranco - fico lá durante 3 horas segurando o osso perto do seu umbigo preferido - aparece um bicho do fundo do mar - ele parece o monstro de onde moram os monstros - semana que vem me afogo com você - juro 

diário de ontem

Cheguei. Ela estava com um salto bafoneiro e uma unha rosapinkchoc. Tá, querida? Trá! Cho-ki-tha! Estou com o olho tapado, mas enxergo luzes até por trás da parede. Ai que uó, eu. Eu falei que queria flertar com narrativas. Isso é em setembro, louca! Que louca! Risos. Foi um equívoco. Não sei. Foi. Escutei a  história das 3 cabeças de ouro. Horripilante. A moral é tão horripilante. Não, eu não queria, não quero entender aquele poema, mas quando Anastácia juntou Madrugada e Exu, tudo fez um sentido-sopro no meu ouvido. Era para ser uma semana de despedidas e, de repente, veio esse encontro-epistemologia inédita.  Uau! Preciso ter mais 5 vidas - vounegociarcomBrisa. Porque, porra, para desfazer os spectros do ocidente, cacete, é muito tempo: morte e renascimento. Tem sido uma semana de cuidado com o olho esquerdo e não (esqueci o que ia falar, se eu colocasse uma reticência, você entenderia?). Anotei nome de muitos livros e quando disse de excessos e abandonos foi mais um ponto de vista amoroso. Sejamos amigos - é tão difícil. Minha solidão é minha amiga. Foi bom ler em outra língua. Escrevi sobre apodrecimentos. Foi foda e foi bom. Faltou falar, acrescento agora,  do meu nome. Tentei fazer um poema para Saulo. Saulo foi meu bisavô materno. Ele era judeu e casou com minha bisa índia Rosa. Três meses depois de flechados, Saulo morreu. Por isso, meu nome. Céu colocou esse nome meu. Se fosse mulher, seria Sara. Sara veio depois. Eu, homem, entre as 7 mulheres da minha casa. É muito assunto aqui. Outra coisa, você tem razão - escrever e ser artista-sinuosidades, apesar e através do cotidiano áspero, sufocante e reto.

August 28, 2017

para Paty Costa

Aquele presente com a fita azul só poderia ser seu. 
Não falemos de luto. 
Não é hora de comentar os abismos. 
Um umbigo gira ao redor do seu. 
Um sorriso orbita na sua barriga. 
Cócegas são cafunés.

O futuro é uma fragrância – vamos aprender fazer bolha de alfazema?

August 27, 2017

lista 2

um walkman
um liquidificador
um processador
uma máquina analógica
a cabeça de unicórnio de papel
um aparelho de vinil
rabiscos e símbolos inaudíveis
escrever uma carta de despedida
colocar no correio
comprar o pé de pato

Consegui escrever a crítica. Eu vi a noite passar. Insegurança é um bichinho cheio de ventosas. Tenho muitas tarefas para daqui a pouco e planos de sabonetes. Planos de sabonetes é o que há de melhor. Em nota de rodapé, comentei sobre um caderno de listras, digo, listas. Ele estava perto daqui de casa. Perto de uma árvore que tem folhas amarelas e verdes. O bichinho cheio de ventosas tocou na batata da minha perna agora. Volto para o caderno-listras-listas. Fico, inevitável, pensando no autor.

lista 1

Mostrar ou não mostrar?
O que é mostrar-não-mostrar?
Vou para Lençóis?
Largo tudo?
Solidão.
Amizade.
Não aguento mais repetir.
Medo do outro ver uma coisa qualquer.
Medo de ser julgado.
Medo do olho do outro.
Medo do olhar do outro.
Medo de interromper.
Medo de não conseguir.
Medo de interromper o dilema.
Falar dos atrasos recorrentes na última semana.
Falar da vontade de cortar a garganta de três pessoas.
Tá foda sair de casa.
Tá foda.