January 30, 2012

na casa da minha mãe
há minha mãe
a maciez da minha mãe
a sonoplastia e plasticidade da minha mãe
eu tonto
de tanto amor
de tanto amar 
na casa da minha mãe
almoço na hora certa
televisão
gatos por perto
Sara do outro lado
Sabino lendo na varanda
o tempo passa com gratidão
esmaeço algodão
sonho com recheio de goiabada
sono na geladeira
suco no sofá
sonho
salvador fica tão distante quanto povoado de filme chinês
se alguém me exigisse coragem
faria as malas e voltava
o céu é azul e perto
na casa da minha mãe
deus existe e contorna minha boca 
sou rei polêmico
elaboro festa discreta 
discuto preconceito como alguém migrado
pulo no banheiro grande
faço manha
amanheço manhã
esqueço meus dentes
recebo ordens
quero o bem querer
leio um livro por dia
na casa da minha mãe
o sol arde menos
o sol é melancólico ao lembrar do mar
na casa da minha mãe 
existe verdade essência alma
na casa da minha mãe
eu fui para Londres e nunca mais voltarei
na casa da minha mãe
o tédio engorda
o país não cresce
na casa da minha mãe
não há rumo
só silêncios
esmos
pequenos espantos
poucos espasmos
piscina no quintal
tudo igual
na casa da minha mãe
sou feliz

texto 3

muitos papéis salivam-se na cama
mimiografadas têmporas loucos por você
batem na minha cara
onda do mar –
- gritam numa tarde cinza cismática
muitos papéis
muitos papéis escrevem os dedos sem ponta
apontam redes metálicas e estridentes
loucos por você

texto 2 - encher a bexiga até pocar

mandíbula carente
esquecerei as pontes do futuro promissor e florestas
o  rapaz diferente
sempre lindo e sempre cantando
amorteçe as crateras
uma certa luz roseada me engana
aos colapsos encho até pocar

texto 1

O tomate está sobre a almofada laranja.
O quando está mais espaçoso.
E charmoso.
E aconchegante.
O busto ao lado do espelho com o aviso
– não esqueça de passar o bloqueador.

Emoção

Nada me emonciona.
Os doze contos peregrinos de Gabriel Garcia Marquez.
Eu e Paula querendo saber do ante-braço educado de Flávio.
Eu e Consul.
O verão de Salvador.
A casa quieta.
O futuro do meu quarto.
A cama confortável daqui a pouco.
A estréia de Quarta parede.
A volta de José.
A rede lá fora.
A rede no colo.
O banho no porto.
O sorvete de menta da Cubana.
Roberto, Greice, Neila.
A grana prevista.
O mar.
A Gaia Ciência.
O convite de Denise.
O som de Cícero, Beatles, Caetano.
As cartas de Caio.
A delicadeza de Denilson.
Meu tênis novo.
Barguilha aberta.
Pedros.
Magary.
O amor natural.
O não amor.
O amor.
Os meninos books do face.
Os reencontros.
As baladas.
Dia 2.
A irreverência de Rita Lee.
Rita e Léo.
A árvore de Léo.
Caixa de chocolate.
Nutela.
Nada.
Peixe.
Aquário.
Internet.
Nada.
Unhas feitas.
Música ambiente.
Costelas.
Nada.
Escovo os dentes.
Novo look.
Nada.
Nada me emonciona.

January 23, 2012

quarta parede

- Vamos continuar?
- Vamos continuar.

January 16, 2012

January 08, 2012

tão ainda

Se você quiser alguém.

January 07, 2012

outrossim

deixa esse som mesmo ai
tem um Cícero em meus cílios caquim
cotidiano jasmim
elefante cor-de-rosa rosa na rosa tão paisagem e experiência cupim
lambuzura mim
malaguetas candentes 
inaugura mim
coisas de apartamento
captura mim
além das nuvens
sapatilhas exuberantes sem fim
what you see is what you see?
ou não
ou sim
ou sim