September 22, 2011

September 16, 2011

Vocêzinho

É de dar água na boca e nos cílios.
Igual uma bolacha crocante de chocolate.
É bom com chá.
É bom o barulho.
É bom olhar.
É de mascar até gastar.

September 15, 2011

ameixa

Deixa ele fazer uma barba mal feita para seu futuro.
Um blog para homenageá-lo.
Um vinil para torcer os pogobols ausentes.
Deixa ele quebrar o gelo e beijar as pontas dos dedos.
Deixa tudo ser pretexto para afiar dentes libidinosos.
Deixa ele falar da mãe.
Deixa ele perguntar se pode jazz no final de semana.
Deixa ele ficar sem chão, idéias, astros.
Deixa ele envelhecer.
Deixa ele fazer declarações para suas rugas.
Deixa ele planejar esse teto ao seu lado.
Deixa ele reconhecer seu armário.
Deixa ele falar mal do vizinho.
Deixa ele desejar um filho ou um cachorro.
Deixa ele ir.
Deixa ele voltar.
Deixa o devir.
Deixa ele louco na pista.
Deixa ele dormir até 2 da tarde. Até 3 da manhã.
Deixa ele mostrar quase tudo no seu colo.
Deixa a página virada.
Deixa um drops amassado de carinho.
Deixa ele repetir a história com a mão.
Deixa ele rir alto, à toa e seguir.
Deixa ele chorar mais tarde.
Deixa ele beijar seu enredo.
Deixa ele construir um barco e um rizoma.
Deixa ele comprar uma bicicleta.
Deixa ele lembrar da aula de natação e do primeiro conto de Caio.
Deixa ele em qualquer lugar dizendo onde você for eu vou.
Deixa ele fingir que gosta de poesia.
Deixa o mar, o silêncio e o bocejo dessa tarde.
Deixa a tarde anoitecer.
Deixa ele ligar o som e apagar a luz.
Deixa o cabelo crescer.
Deixa ele conhecer a Espanha.
Deixa ele escorregar no limbo, mas não seja perverso.
Deixa ele esfregar as ventas em seu torso.
Ameixa ele de propósito e deixa.
Deixa a vida reinaugura-se e tudo acontecer.

Aquele ontem

Os pés no mural parecem formigas mudas. Um pé segura o brinquedo quebrado. Dessa vez ninguém chegará. Ao mesmo tempo um alivio e outro desespero. As noites de insônia transmitem cuidado cuidado cuidado. Cedinho aparereceram seres gosmentos. Tentamos matá-lo. Cibele gritou e salvou o meu quarto. No entanto, ontem. Eu preciso dizer: ontem iniciou-se um broto, um muito, um rapto, um enlevo, ave de rapina. Meu pai cantou mistérios sempre há de pintar por ai.

September 06, 2011

Continuação

Para ninguém: copiou as bordas do pé, do chão, do fogo. Queria o dedo do olho na cama mofada. Não importa se cama mofada ou carpetes de seda ou vírgulas. Importa estar. Importa a morte de todos os momentos e o respeito e a entrega. Da próxima vez você desamará com calma e ódio? Ele acordou e pensou na agulha ferindo o cacho de banana. Ele acordou porque se acorda. Ele acordou, penteou os mesmos movimentos matinais do corpo. Havia paciência porque pediu paciência. Lembrou do casal que se matou. Lembrou da cidade que não houve. Ouviu a mesma música até lavar o latido do cachorro. O cachorro roça no amargo do esquecimento. Ele lembrou para esquecer e foi.

A love that should have lasted years

Continuação. Seguimento na cartola mágica. A subjetividade é uma improvisação aquática. Bebe dessa vez o caroço do desatino. Continuar nas desistências e rachaduras. E repetir for no one. For no one. As lágrimas foram armazenadas na caneca esquecida, entre os retratos rasgados, na escova de dente.  For no one. Seu dia break. Sua mente adoece. Nos olhos dele você não viu nada. Aquela pulsão respiratória tornará, os amigos revelam. Conversas místicas no banheiro enquanto a poça de água seca na sala. Você quer. Enquanto a boca faz o inconsciente.  Você acredita. Você deseja. Eu não preciso de duas casas, dois carros, dois cachorros, três filhos. Minha felicidade é uma ambição pequena.

September 02, 2011

Mineral de magnésio hidratado

- se mostra em agregados lamelares.
- é claro que você sabe do que estou falando.
- ondulado.
- de costas: embraçar as escápulas em frente dos musgos.
- você é um talco.
- você é dar voltas na terra.
- ou no estacionamento.
- você faria melhor.
- seu cabelo é uma pasta de amêndoas.
- você sempre faz melhor.
- eu esqueci de soprar as bolas na cama.
- eu esqueci de pocar por dentro da minha saia.
- armadilharei.
- o que?
- vamos ser uma equipe de natação e afogar a gaita do crustáceo louco.
- bala.
- vai de novo: não se esqueça de mim, não se perca de mim, não desapar.

José

É um botão, João?

September 01, 2011

daqui a pouco

Encher a bexiga até pocar, José.