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September 06, 2011

Continuação

Para ninguém: copiou as bordas do pé, do chão, do fogo. Queria o dedo do olho na cama mofada. Não importa se cama mofada ou carpetes de seda ou vírgulas. Importa estar. Importa a morte de todos os momentos e o respeito e a entrega. Da próxima vez você desamará com calma e ódio? Ele acordou e pensou na agulha ferindo o cacho de banana. Ele acordou porque se acorda. Ele acordou, penteou os mesmos movimentos matinais do corpo. Havia paciência porque pediu paciência. Lembrou do casal que se matou. Lembrou da cidade que não houve. Ouviu a mesma música até lavar o latido do cachorro. O cachorro roça no amargo do esquecimento. Ele lembrou para esquecer e foi.

2 comments:

Ellen Joyce said...

É impressionante como sua escrita me deixa um desenho, um desenho vago q só depois fica nítido. Aliás, fica?

Saulo Moreira said...

Oh! Ellen é uma trufa, uma ternura e parece que conversamos por telepatia.
Ellen tem um blog: poetarehpreciso.blogspot.com