April 30, 2010
April 29, 2010
sem título
Restam-nos as elipses, com ou sem definição.
Cimento, eu diria: uma palavra embutida em outra. Palavra.
Cimento, eu diria: uma palavra embutida em outra. Palavra.
Ser estrangeiro é tão máximo assim? O epicentro nem é tão máximo assim.
A decodificação são os rastros de papelão.
A esquizofrenia é um conceito, o amor, larva, ponte, desjeitos.
Tudo issimo.
Olhar para o teto e ficar pontiagudo.
Viva o esquizofrênico.
April 26, 2010
aquele à quem pergunta, perguntas
tem pé?
tem peixe?
tem rede?
tem casa?
tem janelas abertas?
incêndios?
tem terça?
tem educação?
tem nada?
tem trem?
tem chá ou café?
tem melância manga caqui?
tem?
tem música?
tem lenine?
orelhas grudadas?
corpos bailando até a madrugada?
tem lenha na fogueira?
tem o carinho dele?
tem déa chegando?
tem minha amendoeira?
tem conversa fiada?
tem a palavra enceradeira?
Tem o devir.
April 18, 2010
frágil
os frascos
têm lâmpadas queimadas
parafusos
sonâmbulos
anjos caducos
crianças suicidas
e marcapassos
poesias esburacadas
rinocerontes
eu pensei em arco-íris também e chapéus e guarda-chuvas
não tem sinos
eu pensei em arco-íris também e chapéus e guarda-chuvas
não tem sinos
uma noite inacabada
fantasia esquecida
tem amarelo
tem amarelo
estou tonto
muitos auto-retratos
muitos auto-retratos
são muitos
de todos tamanhos
geometrias
geometrias
os frascos
têm ruidos
têm ruidos
acausalidades
acarofilias
anéis sem dedos
estórias sem fim
vou morar com os frascos
anéis sem dedos
estórias sem fim
vou morar com os frascos
mesmo
é sempre o mesmo dia aqui
o mesmo acento
o mesmo aceno
a mesma novidade
é sempre o mesmo jeito aqui
o mesmo gesto
o mesmo obsceno
a mesma ansiedadeé sempre o mesmo texto aqui
o mesmo objeto o mesmo amor com rarissimas variações
a mesma carência
a mesma carência
a mesma procura
o mesmo vazio
o mesmo de vez em quando happy day
é sempre, mesmo, sempre se espera outro carnaval
April 14, 2010
Marca-lança é guarda-chuva?
Marca essa estrela na minha testa, marca.
Não é preciso ligar o ventilador.
O tédio é vagoroso. O frio.
Guarda-chuva no seu cangote e reme-mora o cobertor.
Guardamos a chuva até o sol e o circunscrito lança outra esperança-lua-nova.
para sara
Sara é minha irmã. Sara gosta de lilás e não por acaso: lilás é transcedência, renovação. Mas Sara fica bem com qualquer outra cor, especialmente se essa cor é azul ou rosa. Sara é um azul-lilás-rosa. Quando ela ver o mar, fica igual – líquida, onda, peixe. Ela ler minha poesia. Respeita os excessos dos sonhos. Sara é uma mulher ainda menina, para sempre. Uma princesa. É difícil-fácil dizer Sara. Sara sabe chorar até secar a alma. Ela gosta de frio debaixo do cobertor. Ela gosta de cachorros, de brigadeiro, de respirar quando não falta ar. Isso tudo é tão óbvio. Não sei o que pensar. Sara ama desde os treze anos. E tem o vulcão que o amor materno, por amor, preferiu não usar. Não sei o que pensar, o que dizer. Mas digo. Sara gargalha sem constrangimento. Ela acorda de mau humor. Ela pode passar um dia inteiro com mau humor. Sara muda o cabelo como se muda de humor, e o inverso também é outra verdade. Mas Sara é doce doce doce. Feito de açúcar. Sara é um jeito de quem acredita em ideais. Eu sou tão Sara. Sara é minha irmã! Sara é teatro dos vampiros - sempre precisei de um pouco de atenção - só sei do que não gosto. É Luna Clara. É sol. Sara é muitos nomes. Sara é muito, simplesmente. Eu rabisco Sara e nem a chuva vai apagar ela de mim. Ela me faz forte. Quero que saiba que me lembro. Tudo bem. Tudo bem. Tudo bem. Faltaram-me as metáforas. Sobrou a noite nesse ¼ de século. Assim eu canto eu te amo.
April 08, 2010
salmo de louvor*
minha mãe me quer
minha mãe é branca
e disfarça os fios brancos
minha mãe é prateada
é rósea
ela me quer
eu a exalo
minha mãe me acolhe
cúmplices comemos doces e olhares
*para Dinha
*para Dinha
April 07, 2010
sobre o tempo em seus óculos redondos
Ela recebeu os sapatos floridos (e enferrujados) lambuzando-se de caqui.
O café ficou para outro dia. A imagem é a seguinte.
April 05, 2010
Subscribe to:
Posts (Atom)
