November 29, 2010

continuação*

De repente. De panetone. De sacolas e games. De solo estranho. Solista a teus pés. Revelações óbvias. Obrigado por Ana C., Luna Clara, água para chocolate, demônio da teoria, fragmentos, ombro, coca-colas, farofa de banana, oliveira, carpinejar, working in progress, miúda, ingresso dos hermanos, dinheiro emprestado, comida japonesa, sorvete, chocolate francês. Aquele dia na rede. Aquele dia no mar. Além daqueles dias nesses dois anos. Alpha 202. Lembranças novas numa memória dispersa. Lerei Marta mais uma vez. Morderei sua cachorra lésbica porque decorei seu ritmo. O texto no Rio é quase uma profecia. Estou muito torto para dizer amém. Depois anexo esquimó e Ellen Joyce no cartão postal. Falta falar sobre clareza. Sou hippie e sem critérios. Mas muita delicadeza. Vou morar com Lucila. Mas muito delicadeza para encerrar.

*para paulinha.

despedida

Os talheres fincados na porta. Coreografia final: descemos pela parede. Puro melodrama para não dizer plus. Blues again. Sem ventilador. Sem lâmpada. Complete antes que esvaeça - ... vai conseguir mudar ... ficou. O último programa é dedicado ao quarto morador: Sebastian. Rendezvous. É aquele bichinho dificil de ser ... Poucos saberão dos miolos regados nesse guia. Guia de via noturno para Jazz. Jazz  nu num roto coração. So he smiled. He also was ready to play. Esper-Aynza. Ele precisou decifrar 'ele guarda um guarda chuva entre as pernas e uma muralha sobre os ombros'. Nada mais importa.

November 22, 2010

o tal casal *

Álvaro estava sem um conto. Queria comprar uma calça jeans e uma blusa azul-ciranda para usar com o suspensório. Sábado, depois de uma suspensão secular de quatro anos, reencontrará o amor passado, de nome ainda não escolhido. Quais as mudanças ocorrem depois de 48 meses? Quais defeitos desfeitos? Quais fantasmas persistem? Não sei. 3 kg a +. Quase 30. Tudo muda não muda, avança não avança. Eles falarão sobre bolos, bicicletas, e outras alegrias. Ele reconhecerá os olhos de amêndoas sobre os cachos de uva. O amor não se ausenta – elabora hiatos. É complicado falar sobre um passado ainda não futuro. Preciso tomar um café. Preciso despedir pela milésima vez dessa casa. Dessa amendoeira. Essa amendoeira disfarçou o barulho gordo do mundo; presenciou os afetos desmedidos do meu quarto; os soluços; todas as fodas alucinantes. Álvaro nunca esteve aqui. Nunca estará. Talvez em outra casa. Na próxima casa. Álvaro poderia se chamar João, Rodolfo, Pablo, Léo, Jon ou Samir. Ícaro. Mas gosto de Álvaro: soa como amanhecer. Eu sei o que é amanhecer. A insônia ensina coisas, meu caro. Insônia parece uma tia caduca. Deve ser difícil nunca ter ouvido I Love you baby, tia Insônia. Eu preciso tanto de mentiras, mas tenho dificuldades em bordar histórias – parece uma trepada engasgada. Penso essas coisas e desamanheço.  Álvaro e o Menino-de-nome-desconhecido, nesse futuro recente - vai chover? Irão para Café da Manhã em Plutão? Lerão Neruda? Quem gozará primeiro? (...) Serão risos iguais e o mundo desaparecerá. Esqueci de dizer um é do signo de sagitário e o outro ariano.
* para Pedro e Messias 

 

November 21, 2010

outro auto-retrato

A mãe disse para o menino:
- Você é o meu braço direito quebrado.

November 20, 2010

auto-retrato # 2

Saulo é a costela de Rita e a nuca do coração. Eu sou um bom lugar para se repousar.

November 18, 2010

sem título

leve
os meninos raquiticos
indecisos no baile
os ladrões de lâmpadas
os curtos
os duros
os madrigais
os marginais
os que traficam armas balas palavras
meus meninos sujos
anjos
enloquecidos
os que precisam de pílula
os que machucam
os que desistem facilmente
os derrotados
os vaidosos
aqueles nus pela casa
estes nus pela rua
os que perdem chaves amigos amores
os que são tão tristes tão alegres
os mais secretos
os mais silenciosos
os travessos
os nórdicos-africanos
os desengonçados
os que precisam elogiar sua mão
os que sabem sobre mitologias
os feridos
os que chupam melância
os que bebem fanta-uva
os que não sabem um conto
os entardecidos
os joãos
os zés
os meninos zil partidos
os meninos liquidos
os meninos sem lugares
os da beira do mar
     da beira do caos
     da beira da beira da beira
     da quadragésima margem
tome-os
morda-os
julgue-os
pegue-os
amorteça-os

boa viagem

November 15, 2010

de Rafa-el

Algo pouco próximo do real. Acordei feliz. Tínhamos viajado - fomos à um povoado chamado Diogo, no litoral norte. Ríamos. Brincávamos. Teenage dream, baby. Estou cheio de lugares para fazer. Aquela sensação de 'acho que não vou dar conta'. Além disso. Já me mudei: estou morando na Casa Verde.

November 09, 2010

mas tinha que respirar

todo dia

conclusão matinal

Interrogar para recuperar o ainda possível.

November 08, 2010

sem título

I.
é  bom assistir essa cama sozinha
essa casa
esse cheiro 
esse maybe tomorrow
é bom ser infeliz

II.
sabíamos isto
perder é um caminho
perder-se também é um caminho
um reecontro dia 27 - carinho
recaio na próxima ponte

III.
tudo é sempre outras coisas: descubro o alarme pegajoso
as coisas querem partir
as coisas quererão chegar a qualquer parte
depois dessa música eu levanto
o poeta velhinho emprurra meu cansaço

IV.
eu lavei todos os fantasmas
você não sabe o quanto custoso foi
eles estão calçados, enfileirados, calmos
mas não estamos prontos
meu coração é assim inexpressivo-desaprontado

V.
meu coração busca eixos dispersos
é preciso coragem para amar de perto
ensina-me qualquer melodia e diga
poderemos morrer em outras vidas 
e viver estranhamente mais

November 01, 2010

sobras

sobre as tardes com meu pai
sobre as manchas brancas de céu
sobre o meu piscar de olhos em Isa
sobre eu tentando matar Sara
sobre minhas lágrimas sobre minha mãe
sobre essa casa estrangeira para sempre

quais as sobras nesse acúmulo dívida de mim de vida em mim?

almost

Ela me dizendo coisas de espaço, tesão do talvez, drama, ímã de insetos, festa de separação ou trepar para festejar sua ausência. Eu repetindo  - engulo formigas mas com arrepios. Euforia. Atravesso a ponte plagiando os piratas. Pirataria em pleno ar. Com ou sem você é jazz no coração.