December 17, 2009

passagimprovisada

não chove - ele aguarda uma canção
se chove - ele guarda uma tatuagem too bad

eu quero o corpo dele - todos querem
E o coração mal desenhado?

leio ferozmente - como amar cilios carentes?
                         como pedir posso ficar um pouco mais?

mapeio um futuro agora

noticias avulsas

a luz do quarto queimou
vou comprar um abajur para aquecer meu pé solitário direito
é estranho ser tão virtual discreto esquerdo
essa noite não desintegrou começo ou fim
assobiei meus conflitos até acalmar meu jeito carnal e tagarela
abraço os quebra-cabeças da fotografia partida
alargo o dia sob os cobertores amontoados
sem  largar a imperfeição dos teus cilios

sem  largar a imperfeição dos meus cilios congelados

December 11, 2009

abriu a janela e viu:

o escuro ascender
a fanfarra acenar um beijo
os corpos borrarem a voz embaralhada
minha súplica do outro lado: serenata sob essa amendoeira e estrelas
dois homens cantarolam The Strokes
você é escorpião ou sagitário?
papo de otário-sei-lá
meu amor é carnal carnivoro
minha poesia é meu corpo e o avesso mastigo com lingua faminta

novembro passado

tanta melancolia escorregando pela boca do meu calcanhar 
mergulho 
os segredos confessados e os afagos de 
compaixão-orgulho 
nas bolas que enfeitam minhas meias de sabão 

no próximo novembro deveremos ecoar tanta desesperança?

essa poesia era azul

coleciono outros caras ou deixo minha cara vazia?
você entende meu ritmo?
eu enfeitei as marcas do amor-passado na sola do meu sapato listrado
e as rasuras pintaram minha boca de vermelho
ardemos doce como ácido

o amor desarrumou a cama apagada, descosturou-se, ficou feio, com dor de dente
o amor é carne entre os dentes esperma de rinoceronte
o amor é casa antiga indecente mal varrida
bordel das entropias e papéis avulsos
terminei o amor, saiba

desamar
é um jeito de amar
uma alegria serena
feito mar desfazendo algas
samba descalçando o previsível infinito

essa poesia era azul?

December 02, 2009

despedida ou o amor nos esqueceu

a casa está aqui pausada em movimentos centrifugos
eu nunca sai de casa ele nunca saiu de mim sem querer
sem querer desamo gota a gota sua vaidade
sinto-me prazo vencido outra terra
sou não sou confessional
sejamos escorregadios voltei estou estrangeiro
teto e texto são iguais - guaridas e escritas; machado, carpinejar; romeu e julieta
o amor nos esqueceu