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October 11, 2011

lambe-lambe (conselho para Raiça)

Olha. Vai ao mercado comprar um pacote de fubá. Sua vó é viva? Pede para ela contar um caso. Café quente e açucarado funciona. Escute com atenção o caso. Escute com atenção as rugas. Compre um creme da avon para lubrificar as rugas. Suas marcas são importantes. Escute suas marcas. Escute seus dentes. Escute Chet Baker, Nina Simon, Wandula, Bob Marley, Beatles, Lenine, Caetano Veloso. Escute Caetano Veloso com Saulo. E beba vinho. Três porres fenomenais durante o ano são fundamentais. Falar brando. Falar agudo. Falar alto. Falar chutando o espaço. Falar misturado. Não falar. Respeitar o que há de ruim em você. É muito importante respeitar o que há de ruim em você. Sem medo de clichês. Chore até secar a alma. Fique um dia sem escovar os dentes e tomar banho. Deixe a sujeira acumular. Depois, duas semanas numa ducha. A sensação de alivio é assim. Use um sabonete caro. Corra na barra. Quando puder, nade até um barquinho. Olhe o teto azul do céu. Olha. Olhar teto é terapia. Desligue o celular no dia de folga. Tenha alguma peça de roupa vermelha. Seja uma mulher boazinha. Seja uma menininha. Finja ser frágil/ ser forte. Plagie quem você gosta. Não leve a arte tão a sério. Faça love sem amor, sem amar. Encontre um amor no ponto de ônibus, no elevador, na internet, no teatro, numa festa de Mônica. Tenha conversas políticas com Mônica. Escreva até parir zil ovos. Nada de pretensão. Buscar obsessivamente o simples. Andar descalço. Cadeira de balanço. Ler Drummond, inevitavelmente. Estralar dedos. Estrelas. Faça Love com amor. Em tudo, muito chocolate. Não faça nada. Leia sobre seu signo. Dê um livro que você gosta muito a uma pessoa que você gosta muito. Chá, doce, ervas. Fuder gritando. Fuder devagar. Fuder. Alongamento. Sorvete. Um dia, usar vestido sem calcinha. Assistir Almodóvar e Wong kar Way. Estudar uma língua. Escrever uma carta. Fazer outras fotografias da sua janela. Acho que você será uma boa mãe. Entender a solidão como uma possibilidade ainda que haja uma costela disfarçando-a. Ter ilusões. Ter esperanças. Molhar a vida com Nietzsche. Guarda-chuva colorido. Sacar Miúda. Quadros na parede. Um som estranho. Uma poesia tonta. Cafuné. Conhecer a igrejinha de pedra de Itapetinga. Ter um amigo pernambucano. Suco de melancia. Melancia e abacaxi. Pão de mel. Dançar o tempo todo. Respirar o tempo todo. Às vezes, desistir. Às vezes, continuar. Vai. Olha o bolo de fubá. O cheiro é bom.

6 comments:

Saulo Moreira said...

Esse texto é para Raiça Bonfim. Estamos, juntos, em processo de criação de um novo espetáculo.

Ellen Joyce said...

Ahhhh, que delícia!!! Tudo! Do início ao fim. Me serve de conselho, serve pra muita coisa tbm! Doce e lindo doce

o botão do vestido xadrez said...

Saulo... Lindo demais.
Sempre passo por aqui e tenho a sensação de transbordar em um sentimento (algo), q eu ainda n sei o nome.

Saulo Moreira said...

Renê!!!
Joyce!!!

Bela said...

Que bonito, querido Saulo. Que bonito...
(...)
Acreditei na potência curativa de cada uma dessas palavras, Xamã.

Mônica Santana said...

Amigo, que lindo, lindo, lindo! Ela merece cada palavra afago dessas. Poeta cândido.